terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Governo Lula não mudará mais nada no rádio nem na TV

Se alguém ainda esperava alguma mudança positiva no Governo Lula com relação à fiscalização do serviço de rádio e TV aberta no nosso país, é bom o nobre leitor perder as esperanças.

Ontem, o ministro das Comunicações Hélio Costa foi o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura. O programa é ancorado por ninguém menos que Heródoto Barbeiro, um dos "pais" da ideia da CBN FM. O tema principal era a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), mas é claro que outros assuntos foram abordados.

A entrevista foi comentada em postagem do Jornalismo B. Farei comentários em cima de trechos da postagem.

Infelizmente, logo no início, o ministro já frustrou os que ainda esperavam resultados concretos da Confecom, afirmando que ela fornecerá subsídios para o Congresso agir, mudar para melhor o marco regulatório, mas que será muito difícil isso acontecer ainda esse ano ou no próximo.

Isso joga uma pá de cal na esperança de gente da extrema-esquerda, que esperava que Lula fizesse no Brasil algo parecido com o que os presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Hugo Chávez (Venezuela) fazem em seus países, tipo devassa nas emissoras não alinhadas, fechamento de emissoras tidas como oposicionistas ou golpistas, etc. Também freou um pouco as suspeitas da ultra-direita, que tinha suspeitas no mesmo sentido.

Ele vê como uma “evolução natural” a concentração dos meios de comunicação, e que os veículos são “direito adquirido”, no qual não se pode mexer. Rasga a Constituição (art. 54) ao dizer que os políticos não podem estar em posição de mando de um grupo de comunicação, mas que podem, sim, ser acionistas, cotistas. “A essas alturas dos acontecimentos, vai ser muito difícil consertar o passado”. Não demonstra interesse em democratizar. Ou seja, deixou claro que, no que depender dele, nada vai mudar.

Eu não sei se isso é preguiça ou má vontade da parte do ministro.

Apesar disso, elogiou as mudanças na Argentina, mas se enrolou todo ao falar do controle social da mídia. Para ele, essa é “das expressões mais temerosas” que surgiram nas discussões pré-Confecom. Foi enfático ao afirmar que o governo não vai levantar a questão. E chegou a admitir: “existe um acordo de cavalheiros entre as partes para não discutir o controle social da mídia”.

Se a realização da Confecom é um grande mérito do governo Lula, isso não anula o fato de que ela vem capenga, com diversas deficiências já mencionadas
aqui e aqui.
A demora em convocá-la, segundo o ministro, se deu porque “é muito difícil convocar conferências” e mais ainda “colocar na mesa para negociar todos os setores envolvidos com comunicação”.

Ou seja: na gestão do Governo Lula, há a mesma natureza que os governos Sarney, Collor e FHC tinham com o tema: deixar os radiodifusores prestarem um péssimo serviço. E esse "acordo de cavalheiros" deve envolver, naturalmente, toda a base de apoio de Lula, que vai desde o grupo Record-IURD até os políticos aliados e "donos" de rádios e TVs. Entre eles, o próprio Hélio Costa e seu suplente no Senado, Wellington Salgado.

Por fim, a respeito das sublocações dos canais de TV, principalmente por igrejas, “não é tão simples de resolver”. Tudo é complicado para Hélio Costa. Demonstra uma falta de vontade política de resolver os problemas quando eles tocam nos interesses de gente graúda.

Pois bem, o ministro claramente defende, como todos já sabemos, os interesses dos grandes meios de comunicação. Saiu-se bem em alguns pontos, falou razoavelmente bem da Confecom, criticou os setores empresariais que se ausentaram, mas faltou uma defesa mais enfática da efetiva democratização que se espera de um ministro comprometido com o interesse público, com a função social da comunicação.


Ou seja: continuará a picaretagem gospel, a jabazaria, a politicagem e a patifaria generalizada no rádio e na TV.

E ainda há otários que defendem o Governo Lula. Tal como há ainda quem defenda Sarney, Collor, FHC...

Publicado originalmente no Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Segmentação nunca foi o forte dos executivos de rádio


Quem frequentou os bastidores do rádio na década de 70 e 80 sabe o quanto de esnobismo com que agiam os executivos de rádio, sobretudo FM, em todo o país, quando se falava em segmentação radiofônica. Os executivos davam risadas, chamavam a pessoa que disse isso de louca, e concluíam logo que segmentação não dá dinheiro e vai fracassar logo em seguida.

Infelizmente, a vontade desses executivos e dos tecnocratas da mídia eletrônica - dos engenheiros aos radiojornalistas, estes os tecnocratas da opinião - prevaleceu, para a alegria dos grupos de poder das corporações da grande mídia em detrimento dos ouvintes e radiófilos que assistem perplexos a "novidades" nem sempre positivas do meio radiofônico (apesar de muitas delas serem anunciadas com estranho entusiasmo por certos colunistas de rádio).

Na década de 80, houve um breve período em que a segmentação radiofônica brilhou no Brasil. Infelizmente, foi algo que praticamente só ocorreu no Sul e no Sudeste, já que a revolução das rádios de rock autênticas, por exemplo, continua inédita até hoje em outras partes do país (como Salvador, na Bahia, que tem um sistema de rádio "mafioso").

Eram rádios adultas que tinham repertório mais criterioso, evitando o hit-parade romântico ou dançante. Eram rádios de rock com locutores que realmente tinham a ver com o segmento. Além disso, as FMs não se metiam no filão das AMs, o que mostra o quanto é lamentável hoje a obsessão de radiojornalistas e equipes esportivas com o rádio FM, naquilo que costumo chamar de "euforia maior que a festa" (expressão que se relaciona com o ditado "onde há fumaça, há fogo"). E havia até FMs de música erudita, podia-se ouvir até mesmo um pouco de jazz na programação diária, mais de um dia da semana.

É dessa época uma geração de rádios que fizeram história nas mentes dos ouvintes, mas que de uma forma ou de outra desapareceram: as fluminenses Antena Um, Fluminense FM, Cidade FM, Globo FM, as paulistas 97 Rock e Musical FM, entre outras.

Nos anos 90, porém, por consequência da política de concessões de Antônio Carlos Magalhães e José Sarney na segunda metade da década de 80, o rádio começou a sabotar seus ideais de segmentação. A desculpa era o dinheiro e uma suposta adaptação de rádios a formatos segmentados, num esquema "gradual" que lembrava o discurso de Ernesto Geisel.

Dessa forma, o radialismo rock, por exemplo, adotava toda uma roupagem de rádio hit-parade, numa lentíssima "transição" para o formato alternativo que, de tão lenta, acabou fracassando. Afinal, até o adolescente que queria ouvir uma rádio de rock esperar que uma rádio comercial "dedicada" ao segmento virasse roqueira de verdade, esse adolescente já teria se tornado um adulto pai de um outro adolescente. Isso derrubou as rádios autênticas de rock, que erraram ao tentar se adaptar à linguagem pop da rica 89 FM, e derrubou também as rádios pseudo-roqueiras que, mais cedo ou mais tarde, desapareceriam apesar da perseverança não raro temperamental (os produtores das rádios pseudo-roqueiras, pasmem, tinham um pavio bem curto). Mesmo a 89 FM teve que abandonar o rock antes que passe da fase "Jovem Pan 2 com guitarras" à fase "Nativa FM com guitarras".

A sabotagem da segmentação era disfarçada com um discurso monocórdico de coordenadores de rádio, que falavam feito gerentes de banco, mas com a franqueza de candidatos eleitorais. Era risível ver rádios com um comportamento esquizofrênico enquanto seus diretores artísticos falavam para a imprensa sobre o perfil supostamente diferenciado das emissoras.

Com isso, havia coisas grosseiras, como rádios adultas posando de sofisticadas, mas tocando tudo o que vier de música romântica e "para toda a família", podendo ser até Backstreet Boys e Village People. E a histórica Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, antes uma despretensiosa rádio pop, virou uma "rádio rock" totalmente burra, arrogante, ao mesmo tempo irritante e irritada, já que seus produtores chegavam mesmo a superar os da "irmã" 89 FM no quesito de profissionais esquentadinhos. A obsessão "roqueira" da Rádio Cidade quase condenou o passado honroso da rádio ao esquecimento, e, na lembrança dos 20 anos da Rádio Cidade, a única lembrança que o Jornal do Brasil (dono da emissora) fez da fase original da emissora foi que ela tocou o pouco conhecido grupo de hip hop Sugarhill Gang.

O discurso dos anos 90, aparentemente favorável à segmentação, mas na prática bastante contrário a ela, foi adotado pela pressão do mercado publicitário, que falava em públicos específicos, uma ideia que é amarga para o mercado radiofônico, mas que foi adotada a contragosto para não perder as verbas publicitárias.

Hoje, com o rádio brasileiro se reduzindo a um cassino de grupos de redes, a uma bolsa de valores do empresariado radiofônico, tratando o público ouvinte que nem gado bovino, a fase agora é de capitalismo selvagem. O rádio carioca já é chamado pejorativamente de "feira de Acari eletrônica", e FMs e AMs fazem uma disputa predatória onde a faixa de sintonia original do rádio, a Amplitude Modulada, leva a pior, apesar de sua poderosa história que a Frequência Modulada não pode fazer igual.

A Aemização das FMs, o maior embuste eletrônico da década, ligado diretamente a interesses corporativistas e políticos, apesar da pose bonapartista-iluminista de suas emissoras, representa essa competição de lobo com lobo do rádio brasileiro, derrubando uma a uma as emissoras musicais e transferindo o foco do jabaculê das relações 'inocentes' da indústria fonográfica com a farra financeira de dirigentes esportivos, políticos parlamentares e oligarquias empresariais diversas.

O rádio se tornou mais superficial, mais tendencioso, e o rádio FM, mesmo às vésperas de sua hegemonia absoluta, já sofre o seu cansaço de não poder mais competir com outras mídias, seja com blogs, seja com sites de gravação digital de músicas, seja com a televisão. Aemizado, o rádio FM mais parece boneco ventríloquo da TV aberta, afeito ao showrnalismo e ao sensacionalismo esportivo, além de se tornar escravo da agenda setting (espécie de hit-parade da informação) e do fait divers para tentar chamar a atenção do público ouvinte.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mariza Tavares passa atestado de ignorância para editor do Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro

Fonte: Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

De: Marcelo Delfino
Enviada em: domingo, 29 de novembro de 2009 19:03
Para: Ouvidoria - Radio CBN
Assunto: Marcelo Delfino envia mensagem para expediente CBN

Por quê a qualidade do som da CBN Rio 860 quando ela é separada da 92,5 (no caso de hoje no jogo do Fluminense) é tão ruim? Não é só hoje. Sempre que há essa separação a qualidade de modulação cai muito. Há algum problema em algum link ou estão economizando na banda usada para esse link? Reitero aqui o meu pedido para que seja sempre feita essa separação quando a CBN 92,5 entrar em cadeia com a Globo AM 1220. A CBN deve transmitir uma segunda partida, ou entrar em cadeia com a Rede CBN ancorada em São Paulo.

RES: Marcelo Delfino envia mensagem para expediente CBN
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009 9:58
De: "Mariza Tavares - Diretoria Executiva de Jornalismo - SGRSP"
Para: "Marcelo Delfino"

O som do AM é pior que o do FM, caro Marcelo. Mas a separação só é feita em caso de dois jogos muito importantes.

Re: RES: Marcelo Delfino envia mensagem para expediente CBN
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009 11:14
De: "Marcelo Delfino"
Para: "Mariza Tavares - Diretoria Executiva de Jornalismo - SGRSP"

Por favor, Mariza Tavares. Não me considere um ignorante total. Eu já sei que o som do AM não tem a mesma modulação de agudos do FM. Mas o som da CBN AM quando transmite segundas partidas de futebol está inferior ao de outras grandes AMs, como a MEC AM 800 (que tem um agudo bastante aceitável) e mesmo da Globo AM, também do SGR.

Se incomodei tanto levantando essa questão da modulação da 860, juro não tocar mais nesse assunto. Não com a CBN.

Agradeço pela atenção.

Atenciosamente,

Marcelo Delfino

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

NAS JORNADAS ESPORTIVAS, RÁDIO FM LEVA A PIOR NAS RUAS


Na ronda pelas ruas, no sábado passado - acho que havia um jogo com o Fluminense - , pude ter, na minha pesquisa de campo, uma noção da sintonia das transmissões esportivas numa área de Niterói compreendida entre o bairro do Viradouro e o Jardim Icaraí, além de parte do bairro de Icaraí, próximo à praia.

É uma noção básica para dar a ideia da tendência que acontece na mídia brasileira, que não é lá agradável para as elites que, festejadamente, acham que o rádio FM é tecnologia de ponta, à frente até mesmo da televisão, já que para elas rádio FM é mais honesto porque não faz edição de imagem.

Na ronda que eu fiz, vi seis bares que puseram TV para ver as transmissões, sete pessoas ou grupos de pessoas que sintonizaram o rádio AM e apenas um solitário jornaleiro que sintonizou, num desesperado alto volume, a Globo CBN FM que, em semelhante desespero, já copia a linguagem da TV aberta nas inserções publicitárias durante as transmissões esportivas.

Se por por cada aparelho ligado, a porcentagem fica assim: TV - 43%, AM - 50% e FM - 7%. Mas se observarmos que dos sete aparelhos de AM ligados havia dois casos de um grupo de seis pessoas compartilhando uma mesma sintonia e que sempre havia grupos de pessoas na audiência da televisão, a constatação é de desanimar todos os radialistas e demais entusiastas que acreditem que o "novo AM" é o rádio FM. Isso dá em outra constatação:

TV - 70 espectadores - 79,5%
AM - 17 ouvintes - 19,3%
FM - 1 ouvinte - 1,2%

Embora o rádio AM tivesse uma aparente desvantagem, o rádio FM agravou sua situação, o que mostra que nem sempre se pode confiar no julgamento de gabinete dos tecnocratas da grande mídia, que sempre veem o mundo de acordo com as quatro paredes de seus estúdios e escritórios.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Até Garotinho quer AM em FM

Garotinho
O garotinho José Carlos Araújo está cheio de ideias mirabolantes para implantar no malfadado futebol em FM. Por exemplo: levar equipamentos digitais para os estádios para captar todos os ruídos do jogo (vão botar os palavrões dos jogadores e dos treinadores?), e fazer narração assim: quando a bola estivesse no lado direito do campo, você ouviria o locutor apenas no canal direito. Quando a bola fosse atravessando o campo, você ouviria a voz sumindo do canal direito e aparecendo no canal esquerdo. E vice-versa. Está tudo na biografia do homem.

Claro que a grita contra este parecer foi generalizada na comunidade Dial Rio de Janeiro:

Philippe

Acho que fazer isso, Marcelo, é até inviável, mas chamá-lo de gagá também é forçar muito a barra com um dos grandes gênios do rádio brasileiro.

Paulo Becker

Marcelo , chamar o Garotinho de Gagá é demais...

Eles não entendem mesmo de ironia. Só lamento. Eu fiz uma ironia com o Garotinho. Interpretaram como uma coisa enfática, como se fosse uma coisa definitiva.

Eu acompanho o portal Preserve o Rádio AM há nove anos, e agora edito o blog oficial junto com o criador do Preserve o AM, Alexandre Figueiredo.

Por mais que eu seja fã do Garotinho, não serei seu cúmplice neste projeto de concorrência desleal e apartheid tecnológico contra o rádio AM.

Aos tecnocratas cúmplices do sucateamento do AM e cúmplices do AM em FM, eu destilo minha oposição da forma que bem entender. Se quiserem defender o AM em FM, utilizem este mesmo espaço.

Do rádio AM digital ninguém falou. Preferem espinafrar a voz crítica, aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

AS ÚNICAS MÚSICAS LONGAS TOCADAS NA ÍNTEGRA


As rádios pop e até mesmo as ditas "rádios rock", que usavam e abusavam da locução em cima das músicas - incluindo a bajulação hipócrita do locutor que, no final, não raro dizia "demais, né?" - , pelo menos puderam tocar na íntegra, ou quase, duas músicas bastante longas.

Trata-se de "Light my Fire", dos Doors, e "Faroeste Caboclo", da Legião Urbana. Apesar de bastante longas, cerca de sete minutos a primeira e cerca de nove a segunda, ambas não soam monótonas, marcando pela musicalidade rica e expressiva. "Light my Fire" tem uma bela parte instrumental, e "Faroeste Caboclo" tem uma longa letra.

As duas músicas soariam mutiladas se fossem "editadas" para tocarem nas rádios. E também seus finais, por alguma coincidência, quase sempre são tocados sem locução em cima, apenas com o fade de "Faroeste Caboclo" prejudicado em poucos segundos por causa a vinheta da respectiva emissora.

Por alguma sorte, essas músicas talvez tivessem sido tocadas quando o locutor ia beber água e o operador estava mais cansado.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pisaram no rabo do gato em programa pseudo-evangélico

E ainda tem gente que defende o arrendamento de rádios.

A rádio Gospel FM carioca, emissora arrendada pela Gospel FM paulistana (pertencente à Igreja Apostólica Renascer em Cristo) tem uma série de anúncios, vinhetas e programas surreais. Ontem mesmo eu gravei um trecho da programação, no horário de 1h da manhã. O que encontrei foi um anúncio de um show de "samba rock", algumas vinhetas e a abertura do programa O poder de Deus em ação, do Ministério Plenitude de Avivamento do bispo André Fabiano.

A abertura do programa é um show de rádio-exorcismo mais falso que os da Deus é Amor. Na hora em que uma das vítimas da igreja é supostamente exorcizada, solta um grito tal que parece o barulho que um gato faz quando alguém lhe pisa o rabo.

A prova está aqui:

domingo, 22 de novembro de 2009

Garotinho no Norte Shopping


Amanhã tem Globo Esportivo ao vivo e relançamento da biografia de José Carlos Araújo na Livraria Saraiva do Norte Shopping (Rio de Janeiro), às 17h. A entrada é franca.

O Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro já publicou um texto sobre a biografia e outro com entrevistas de Garotinho, Rodrigo Taves (autor do livro) e Luiz Mendes.

sábado, 21 de novembro de 2009

Arrendamentos: Câmara reprimirá ou vai liberar geral?

Ontem, o Tudo Rádio saiu com esta notícia:

Arrendamento de rádios será debatido na Câmara

Um requerimento da deputada federal paulista Luiza Erundina (
PSB-SP), solicitando audiência pública para debate sobre a prática de subconcessão por empresas de radiodifusão, foi aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), da Câmara dos Deputados
. A prática, que consiste no “arrendamento” da concessão concedida pela União a terceiros, não é permitida por lei.

Segundo o parecer do jurista Fábio Konder Comparato, que preside a Comissão Nacional de Defesa da República e da Democracia da OAB, a prática é ilegal, já que o concessionário não pode, de forma alguma, arrendar ou alienar a terceiro sua posição de delegatário do Poder Público. Comparato encabeça a lista de especialistas que devem ser convidados para debater o assunto.

Além de Comparato, devem fazer parte do debate o procurador da República Domingos Sávio Dresch da Silveira; Bráulio Araújo, representante do Coletivo Intervozes; Guilherme Stoliar, diretor de rede do SBT; Alexandre Raposo, presidente da Rede Record; Evandro Guimarães, vice-presidente das Organizações Globo e conselheiro da Abert; e Flávio Lara Resende, diretor administrativo da Abra. O Ministério das Comunicações também será convidado a enviar um representante para o debate. Mariana Mazza.

Com informações dos sites Tela Viva e Aesp

Por Carlos Massaro

A notícia já foi comentada na comunidade Dial Rio de Janeiro:

Marcelo

Mais uma pizza no forno!

Flávia & Cleiton

Ihh..Tá com cheiro de pizza mesmo!

Só acredito quando o governo tomar atitudes contra essa Feira de Acari do dial!

[]'s
Cleiton :)

Diego

Desde que o governo não tome para si essas concessões e coloque no ar as rádios do próprio governo...

Paulo Becker

Se for de 4 queijos eu como ... se não for tb !!!

Leonardo

O SBT

Como já vinha falando há tempos, promete atacar os arrendamentos, pois embora não tenha nada a ver, o SBT perdeu varias afiliadas para o Valdemiro Santiago da igrejola IMPD. A Globo, através do SGR, deve também atacar, já que esta tendo prejuízos com a dupla transmissão da Tupi no Rio. Cabe a nos também ao invés de ficarmos falando que vai virar pizza lutarmos também contra esta imoralidade mandando emails para os parlamentares responsáveis por esta CPI. Resta saber se o lobby dos concessionários é forte, pois até onde eu sei dos arrendatários é, porém como tem sido as instituições religiosas, sobretudo as pseudo evangélicas as que mais arrendam emissoras no território nacional, poderá haver uma bela queda de braço entre Globo e IURD (uma das maiores arrendatárias de TV e radio do pais). De repente pode ser que nem vire pizza, vide o 0900 que depois de pressão do Ministério da Justiça foi tirado do ar e só voltou mais de 10 anos depois, e após disso não mais deu certo. Sejamos otimistas, pois se abre aí uma oportunidade que até então achávamos dificílimo de ocorrer, portanto aproveitemos com unhas e dentes. Afinal essa é uma das lutas desta comunidade que se refletiu no caso Antena 1.

O mais provável é que venha mais uma pizza por aí, com o agravante de a Abert institucionalizar os arrendamentos, com as bênçãos dos senhores deputados. Mas penso que é hora de pressionarmos esses deputados, para que eles efetivamente trabalhem pelo fim dos arrendamentos. O endereço é www.camara.gov.br. Quem quiser entrar em contato com a deputada Luiza Erundina, para cobrar que ela trabalhe até o fim dos arrendamentos, pode usar estes contatos:

Gabinete 620 - Anexo IV Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes
Brasília - DF
CEP: 70160-900
http://www.luizaerundina.com.br

Telefone: (61) 3215-5620 - Fax: (61) 3215-2620

dep.luizaerundina@camara.gov.br

É bom pressionar os deputados da referida comissão, também. Senão, governistas e oposicionistas se unirão para fazer mais uma fornada de pizza.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O (GRAVE) ERRO DO TELECINE CULT (E DAS FMS ADULTAS TAMBÉM)


JOHN WAYNE - Numa demonstração de falta de senso de discernimento, os executivos do canal pago TeleCine Cult "promoveram" o caubói John Wayne, astro do cinema comercial ianque, em "ator de cinema alternativo". Em outros tempos, os cineclubes iriam protestar, além de caírem na maior gargalhada.

Uma análise de como o capitalismo norte-americano impõe "superioridade cultural" aos fenômenos do establishment da grande mídia ianque

"Você sabe com quem está falando?" - Esta frase, tão comumente ouvida pelas pessoas e que demonstra a arrogância de quem transmite esta mensagem, ilustra muito bem o que os Estados Unidos querem dizer aos outros países em relação à dita "superioridade cultural" do país de Tio Sam. Desde o projeto do New Deal do presidente Franklin Delano Roosevelt, nos anos 1940, que fez o Brasil entrar na rota comercial dos produtos estadunidenses, que a ideia de "superioridade" dos EUA é um fenômeno conhecido entre nós.

Vemos muitos casos dessa "superioridade". O estilo de vida norte-americano penetra no Brasil pela porta da frente, e seus referenciais entram no país sul-americano não na forma de elementos coloniais, mas como elementos "próprios" dos brasileiros. A hegemonia do poder norte-americano em terras brasileiras interferiu até nas campanhas pela desmoralização do governo João Goulart, entre 1963 e 1964, e na ajuda em recursos humanos e financeiros para o golpe de 1964 e até para uma operação de guerra que por pouco não chegou a acontecer, a Operação Brother Sam, devido ao recuo das tropas de Jango.

O hit-parade musical e o blockbuster cinematográfico dos EUA são apenas alguns exemplos da penetração hegemônica dos valores ianques no Brasil, atitude comparável a de um visitante que chega na casa de um amigo dando ordens e se achando dono da casa. Sabe-se que na economia a influência ianque é mais crucial e perigosa, porque não são raras as ocasiões em que a hegemonia norte-americana busca meios de burlar a soberania brasileira, arrumando até desculpas para isso. Mas isso é outra história.

O que vamos exemplificar aqui é o caso do cinema e da música, veículos de expressão cultural que no entanto são também sujeitos a manobras das elites dominantes. Na música brasileira, por exemplo, o mega-projeto do brega-popularesco, como vemos, é uma grande manobra das elites brasileiras que forjam uma "música popular" de fácil assimilação mas de gosto bastante duvidoso.

TELECINE CULT


O logotipo do canal é o de um gatinho desenhado como se fosse uma arte gráfica dos anos 50 e o lema é "TeleCine Cult: Alternativo". Parece que o canal é TOTALMENTE dedicado ao cinema independente, a filmes clássicos alternativos, ao cinema não-comercial. Só que isso não é verdade, infelizmente.

O canal reserva boa parte do seu horário ao cinema comercial antigo dos EUA. Sim, a fase áurea de Hollywood com seus grandes sucessos. Não se está aqui questionando a qualidade dos textos dos filmes norte-americanos clássicos, mas diante da nivelação por baixo que as coisas estão dando não dá para romper com a história em nome de valores pretensamente "novos". A pancadaria de Jean Claude Van Damme não vai transformar os filmes com o caubói John Wayne em "cinema alternativo".

Mas é o que acontece. A nivelação por baixo, nos anos 90, fez os executivos do entretenimento, a pretexto de "transformar os valores" da humanidade, mas visando perpetuar a rentabilidade de produtos mais "antigos", a classificar o establishment norte-americano como algo "preciosista". O que era apenas bom ou regular agora é "genial". O que era apenas sucesso virou "clássico". O que era apenas convencional virou "alternativo".

Historicamente, o cinema da fase áurea de Hollywood era conhecido pelos cinéfilos mais antigos como sinônimo de mercantilismo, de ilusão, até mesmo de "mentira" sócio-cultural. O que hoje, devido à falta de referenciais nas gerações mais jovens, parece tão natural, seria algo vergonhoso e digno de gozações antes. Experimente dizer que Sete Noivas para Sete Irmãos é filme "alternativo" num cineclube no início dos anos 60. É assinar o atestado de idiota. Mas hoje a "galera" ainda arruma desculpas para defender essa visão tão absurda.

Que os valores se transformam, isso é verdade, mas não a ponto de sacrificar a lógica e jogar fora pontos de vista mais tradicionais. Não dá para transformar o bronze de ontem ou mesmo a lataria de ontem em ouro. Bronze é bronze, lata é lata. Há pessoas que gostam muito de bronze ou lata, mas eles não são ouro.

FMS ADULTAS

Mas, na ironia do termo, já vimos esse filme antes com a música comercial dos EUA. A disco music e a música romântica (sobretudo Whitney Houston, Celine Dion e similares) dos EUA foram promovidas pelas FMs adultas brasileiras (as "gagás contemporâneas"), mas sob clara influência da "superioridade" dos EUA, a mesma "superioridade" que faz com que um então presidente medíocre, George W. Bush, de qualquer maneira seja visto como o imperador inconteste do planeta. Em vez das rádios adultas investirem em música realmente de qualidade (como jazz, folk e MPB menos convencional), elas preferem o hit-parade que é apenas "menos" rasteiro, geralmente "romântico" e "para toda a família".

O que permite que isso aconteça, comprometendo seriamente o caráter diferenciado dos veículos de mídia que deveriam se comprometer com a cultura de qualidade, seja nacional ou estrangeira, é a falta de informação das pessoas, agravada pela overdose de informação da grande mídia e as relações de poder que tornam certos veículos mais influentes ao público.

Além disso, a própria memória curta transforma o chiclete de bola em caviar numa simples questão de marketing. Coisas apenas jocosas como Village People ou piegas como Michael Bolton se transformam de repente em "gênios da good music" (ou music classics, quality music e outros termos patéticos), num discurso que vê sofisticação onde não existe. Isso porque a música declinou tanto que o que parecia normalzinho virou "excepcional". A exceção virou a regra maior dos indigestos anos 90.

Enquanto a desinformação e o saudosismo fácil fazem da música medíocre e dos filmes comerciais um preciosismo que não corresponde à realidade, mas apenas permitido por causa dos É O Tchan e Van Damme que assolam o mercado do entretenimento ultimamente, a cultura declina por uma questão de permissividade. Não há uma defesa de valores sólidos, porque estes se tornam descartáveis, enquanto os valores descartáveis, inversamente, se tornam sólidos.

É lamentável que, graças a esse empenho da grande mídia, com seus canais segmentados mas nem tanto, pessoas valorizem as coisas mais pelo que elas deixam de ser de ruim do que pelo que elas significam de bom. Essa conversa até faz sentido no momento em que essas coisas estão na moda, mas quando o modismo passa, elas caem no mais absoluto esquecimento. Até que os executivos de ocasião venham com a iniciativa de transformar essas coisas medianas em falsas preciosidades. Isso até que alguém esclarecido venha impedir que isso aconteça.