quarta-feira, 16 de outubro de 2013

AMs poderão migrar para o FM: mas dial ficará congestionado e a audiência vai piorar


O Governo Federal vai autorizar em breve a migração do rádio AM para o rádio FM, já que não existe tecnologia de telefones celulares que sintonize a Amplitude Modulada.

Oficialmente, diz-se que a mudança irá aquecer o setor e que haverá aumento significativo de audiência. Mas, a julgar pela realidade que acontece nas ruas, diferente do que festeja o corporativismo da classe radiófila, a situação não representará a tão sonhada melhoria.

Pelo contrário, o rádio FM ficará congestionado, e se antes a segmentação era um sonho distante - uma boa ideia dos anos 80 que foi empastelada nos anos 90 e esquartejada depois - , ela hoje ficará morta, já que rádios sem perfil definido prevalecerão na sintonia do dial.

O que vai haver também é a pulverização da já problemática - e não assumida - situação do rádio FM, em que emissoras na verdade possuem apenas de 1/6 a 1/40 avos da audiência oficialmente atribuída pelos institutos de pesquisa.

Com isso, a audiência já existente não aumentará nem reduzirá (ou tende mais para essa segunda opção), se espalhando para as novas emissoras existentes.

Com isso, o rádio FM brasileiro vai virar o "futebol do DJ esclerosado", em que o jabaculê cada vez mais será menos musical, garantindo lucros exorbitantes para políticos, dirigentes esportivos e seitas religiosas.

Enquanto isso, o corporativismo radiofônico comemorará uma audiência gigantesca que não haverá e o mercado publicitário sentirá na pele a pouca rentabilidade que terá com a Frequência Modulada, anunciando seus produtos a pouca gente.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Baixa audiência provocou demissões da Bradesco Esportes FM


A realidade das chamadas "FMs com roupagem de AM", ou "Aemão de FM", é bem diferente daquela que falam os colunistas de rádio e os radiófilos que predominam os debates e mensagens nos fóruns sobre rádio na Internet.

A Rádio Bradesco Esportes FM é um exemplo ilustrativo disso. Badalada até o extremo pela mídia especializada em rádio, a emissora, parceria entre o Grupo Bandeirantes de Comunicação e o banco Bradesco, é um dos exemplos da baixa audiência que os colunistas de rádio não conseguem admitir, e que teria sido o fator das demissões ocorridas na rádio, semanas atrás.

Só para sentir a noção da coisa, um dos demitidos é o jornalista esportivo Mauro Beting, filho do falecido jornalista da TV Bandeirantes, Joelmir Beting, e considerado um dos mais prestigiados profissionais do radialismo esportivo.

A realidade do rádio brasileiro é que o rádio FM atualmente sofre uma decadência ainda mais acelerada que a vivida pelo rádio AM, e já sofre derrotas profundas em audiência em relação à Internet e à TV paga, que há muito tiraram boa parte da audiência das FMs.

Além disso, a audiência atribuída às emissoras FM, registrada pelos nem sempre confiáveis institutos de pesquisa, na verdade é um dado manipulado pela combinação da sintonia individual de alguns ouvintes em ambientes coletivos e o número de pessoas que frequenta cada ambiente.

Assim, uma única pessoa que sintoniza uma emissora em um estabelecimento comercial leva consigo o número de fregueses atendidos diariamente nesse estabelecimento, mesmo que ninguém se interesse em ouvir tal emissora.

Uma única pessoa ouvindo uma rádio pode "levar" até 50 mil pessoas para os dados do Ibope, "anabolizando" a audiência de uma emissora, que parece ser "bem mais ouvida" do que realmente é. Só que, cedo ou tarde, a realidade acaba se mostrando e o mercado acaba dando um recado desagradável.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Quem ouve mesmo rádio FM no Brasil?



Quer ir a um outro planeta? Não precisa ir para a NASA, se inscrever como astronauta, se sujeitar a testes diversos, enfrentar a queda da gravidade e tudo o mais. Basta entrar numa coluna de rádio, num fórum ou num portal de notícias sobre rádio. Lá você entra num novo planeta, diferente da realidade em que vivemos concretamente.

Lá todos vivem com o rádio grudado no seu organismo. Todas as rádios, sobretudo FM, possuem audiência gigantesca. Qualquer locutor surgido do nada é "Rei do Ibope", e as audiências radiofônicas não são superiores a 15 mil pessoas. Locutores esportivos nunca possuem queda de audiência, apesar de nossa realidade admitir que, no futebol, até os grandes times caem um dia para divisões inferiores de campeonatos.

Que o rádio FM continua tendo audiência, é verdade. Como a TV tem espectadores e jornais e revistas possuem leitores. Mas o problema é que, na violenta crise midiática que atinge corporações midiáticas, o rádio FM tenta negar sua própria realidade e inverter sua situação no contexto dessa crise. No seu narcisismo, o corporativismo radiófilo chega mesmo a "afirmar" que a força do rádio supera a da Internet.

Daí o "mundo diferente" que é o dos radiófilos. Nele, o corporativismo chega mesmo a adotar fantasias como verdades. Astros do rádio não são cultuados como profissionais competentes, antes fossem tidos como semi-deuses da Comunicação. Audiências de emissoras de rádio envolvem números surreais, que somados podem até mesmo superar o número de habitantes de uma cidade. Reina a fantasia no país dos radiófilos.

É bom demais de ser verdade que, num contexto em que redes de televisão sofrem crise de audiência, jornais e revistas perdem leitores e várias publicações entram em falência, o rádio FM diga que "está crescendo". E isso com dados de institutos de pesquisas, que contraditoriamente não têm a menor confiabilidade quanto às pesquisas eleitorais, mas detém a verdade absoluta quanto às pesquisas de audiência de rádio.

Por trás desse mundo da fantasia, o rádio, como um todo, segue a mesma crise da TV, do jornal e da revista, todos sofrendo a concorrência da Internet. E, se o rádio AM está hoje em coma, o rádio FM sofreu um AVC. As FMs perderam de qualidade, a Frequência Modulada virou uma mesa de negócios empresariais e políticos, portanto, se a população do Brasil aumentou nos últimos anos e o rádio FM perdeu mais audiência, paciência.

Não há como tapar o sol com a peneira. Mas o rádio FM insiste em tapar. Primeiro, com a surreal supervalorização das sintonias nos automóveis, uma atitude bastante risível, pois sabemos que o motorista de automóvel não é necessariamente um público sofisticado e qualificado. Agora, o rádio FM busca desesperadamente as sintonias "coletivas".

Essa segunda manobra já é considerada uma prática de jabaculê, uma vez que várias emissoras em FM, inclusive as que adotam programação tipo "Aemão" (noticiários, esportes e "variedades"), que têm a pior audiência (apesar de serem as mais ostensivas, devido à poluição sonora), tentam diluir audiências individuais em estabelecimentos comerciais, onde fregueses acabam "ouvindo" a rádio que só interessa ao seu gerente ouvir.

Isso se comprova diante da contradição das andanças nas ruas - não é preciso ser estatístico nem jornalista para tal tarefa - , quando as pessoas estão ocupadas demais em suas vidas para ouvir rádios, daí a audiência baixíssima, e os números "gigantescos" registrados pelos institutos de pesquisas (tipo Ibope). É porque vários desses "ouvintes" vem de estabelecimentos comerciais onde apenas o gerente ou o dono decide sintonizar tal emissora.

Muitas das emissoras FM, sejam as grandes redes, sejam as emissoras regionais, em sua maior parte são controladas por grupos oligárquicos, cujo contexto de poder midiático não é diferente do que se vê nos chamados "jornalões", por exemplo. Sem falar que boa parte do poder latifundiário no interior do país estende seus domínios através de emissoras FM, principalmente as de perfil popularesco.

Junte-se a isso o desaparecimento de emissoras de referência - como a Antena Um carioca e a Fluminense FM niteroiense - e a crônica falta de criatividade das programações de FM ou mesmo da obsessão de jogar velhas fórmulas de AM em FM do que renovar o rádio AM, e cria-se um quadro que afasta milhares e milhares de ouvintes do dial radiofônico.

Daí a alternativa mais abrangente da blogosfera, dos arquivos de MP3, que fazem a diferença e que não possuem a repetitividade e a superficialidade das FMs. A Frequência Modulada está em crise, mas por enquanto o corporativismo radiófilo está fora de sintonia com a realidade.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Copa das Confederações "consagra" a decadência acelerada das FMs


O rádio FM está em queda livre de audiência. Principalmente o chamado "Aemão de FM", que está longe de repetir o mesmo desempenho que o rádio AM tinha outrora. Os dados, embora não sejam admitidos pelos institutos de pesquisa, podem ser confirmados nas ruas.

É só andar pelos bairros, pelas ruas, pelos ambientes públicos ou passar perto de residências, apartamentos etc. Para cada sintonia de uma transmissão esportiva em FM, há pelo menos cinquenta de televisão, sobretudo paga.

Além disso, a audiência televisiva é bem mais participativa que a radiofônica, se comparada às sintonias em ambientes coletivos. No caso do rádio, apenas uma pessoa ou, quando muito, dois ou três colegas ou amigos, de fato ouvem a emissora, enquanto na televisão, por lidar com imagem, atrai muito mais a audiência participativa.

Evidentemente, ninguém vira ouvinte porque compra seus produtos numa loja em que o gerente decidiu sintonizar a rádio na sua loja. Os institutos de pesquisa, como o Ibope, ignoram isso e o que se vê é a nova prática de jabaculê que anaboliza a audiência de emissoras FM que não conseguem decolar no Ibope.

Daí o "empréstimo" de uma freguesia que apenas consiste numa audiência inercial de uma rádio, só porque está no lugar em que alguém a sintoniza. A "malandragem" é certeira: um único gerente, um único vendedor, sintoniza a emissora no seu estabelecimento, e "leva" seus fregueses para os dados de audiência sem que estes realmente se interessem em ouvir a "sua" emissora.

Por isso é que a decadência do rádio FM anda sendo "minimizada". Mas é só andar pelas ruas e ver que o rádio está sendo menos ouvido pelas pessoas. O rádio sofre o mesmo efeito que a revista e o jornal na queda da Internet, afetando sobretudo os veículos mais conservadores.

Para piorar, mesmo com astros da grande mídia, o Grupo Bandeirantes, que havia abusado na propriedade cruzada no rádio de São Paulo e chegou a exercer influência direta ou indireta em um quarto do dial FM da capital paulista, não consegue ter grande sucesso de audiência, apesar dos dados oficiais tentarem dizer o contrário.

A Band News Fluminense e a Bradesco Esportes, FMs do grupo da família Saad que transmitem futebol, não conseguem até hoje ter um desempenho satisfatório em audiência. Mesmo com figuras de destaque da TV Bandeirantes, a Band News Fluminense FM nunca superou em desempenho de audiência a da fase decadente da antiga rádio de rock Fluminense FM, entre 1991 e 1994.

Já a Bradesco Esportes FM só está em alta na imaginação corporativista de radiófilos e profissionais de rádio. Até agora a emissora não teve uma audiência que se destacasse, se contentando praticamente em ser ouvida em estádios ou por pessoas que não possuem televisão portátil para ver futebol. Em outras capitais, a Rede Transamérica e emissoras regionais também sofrem o mesmo fracasso.

A maquiagem do Ibope e outros institutos serve para evitar a fuga de anunciantes. Só eles é que praticamente restam no decadente rádio FM, que errou ao permitir a concorrência predatória entre AMs e FMs, que eliminou a diversidade cultural que o rádio brasileiro mal começava a desenhar na década de 80, e que foi reduzida a pó duas décadas depois, em prol de interesses empresariais.

Rádios que eram referência, como Antena Um, Rádio Cidade e Fluminense FM, na Frequência Modulada, ou várias emissoras AM, foram liquidadas pela pressão dos interesses comerciais, que fazia com que o poder político e religioso também se beneficiasse com isso.

Em outro aspecto, a segmentação era empastelada com o objetivo de atrair mais audiência, e o que vimos foram rádios "classe A" tocando brega norte-americano, rádios "de rock" com linguagem de FM dance (como a UOL 89 FM onde até o "roqueiro" Tatola é contagiado pela dicção tipo Jovem Pan) e a própria "invasão AM" que transforma as FMs numa arena do tédio e do pedantismo.

EM 2014, A "VOZ DO BRASIL" DO FUTEBOL?

O fracasso da audiência das FMs nas transmissões da Copa das Confederações pode não incomodar o Ibope e congêneres nem os barões da grande mídia. Estes, aliás, pouco se incomodam. O canal SporTV, por exemplo, não oferece perigo para a Rádio Globo, por mais que esta seja surrada pela outra em audiência, porque ambas são do mesmo dono.

O mesmo ocorre com a  TV Band Sports em relação à Bradesco Esportes. Mas mesmo as rádios com donos diferentes vivem uma "solidariedade" corporativa que faz com que "seja normal" a concorrência. Até porque, sendo grupos oligárquicos, os donos de rádio FM aparentemente nada têm a perder com o baixo Ibope. Eles têm os dirigentes esportivos para socorrê-los quando necessário.

Enquanto isso, a possibilidade do dial de rádio FM virar uma "Voz do Brasil" da Copa do Mundo de 2014, a exemplo do que ocorreu em outras copas, é bem provável, com rádios FM tomando mais surra no Ibope num país em que mais gente passa a questionar o fanatismo do futebol e a TV paga e a Internet fazem a dor-de-cabeça dos "DJs de arquibancada" que tentam ser os locutores esportivos.

Sem medir escrúpulos em tornar o dial FM mais monótono, a onda do "Aemão da Copa" só serve mesmo para garantir folga de funcionários. Além disso, há o abuso da propriedade cruzada, das retransmissões, e tudo isso ganha um tom maçante comparável ao do programa noticioso da Radiobras.

Só que o tiro sai pela culatra. Radialistas ganham folga, mas os ouvintes deixam de ter opções de rádio que não sejam a transmissão de futebol. Isso afasta os ouvintes, que têm mais o que fazer. E o rádio, por não trazer imagem, perde vantagem em relação à TV e à Internet.

Nem a poluição sonora dos "fanáticos modulados" consegue reverter. Garotões rodam de carro exibindo transmissões esportivas de FM com arrogância e convicção. Mas são só uma torcida solitária para tentar salvar o rádio FM que, sentindo o preço de ter feito concorrência predatória com o hoje agonizante rádio AM, agora torna-se o "rádio AM" da TV paga.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Áudio do 'Globo News Painel' será repetido pela CBN

Depois do Programa do Jô, mais um programa de TV das Organizações Globo passará a ter seu áudio repetido pela rádio CBN. Será o Globo News Painel, da Globo News, que vai ao ar aos sábados, por volta de 23h. O programa é apresentado por William Waack, aquele que também é âncora do Jornal da Globo e há anos leva uma surra da blogosfera progressista. Não sem merecimento da parte dele.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ibope tenta minimizar decadência do "AeMão de FM"


Até que ponto dá para acreditar em institutos de pesquisa, sobretudo nas campanhas eleitorais? Mas, no que diz ao setor do rádio, que cada vez mais se feudaliza - a ponto de eu ter deixado de participar com frequência de fóruns sobre rádio - , mesmo as mais tendenciosas pesquisas são vistas com deslumbramento, mesmo criando falsos favoritismos.

O jabaculê não acabou no rádio, ele apenas se "profissionalizou". Mas o rádio FM, em compensação, tornou-se cada vez mais mofado e decadente, carente de grandes ideias. Em muitos aspectos, o rádio FM virou uma fórmula apodrecida que inclui elementos de rádio AM e TV aberta mais banalizados, junto com as deturpações de fórmulas segmentadas do rádio paulistano dos anos 90.

E o que se vê nas "animadoras" pesquisas do Ibope? É o crescimento de emissoras transmitidas em FM, mas que correspondem ao perfil "Aemão", ou seja, reproduzem a fórmula do rádio AM, em muitos casos de uma maneira tendenciosa para agradar o ouvinte médio de FM.

Fora alguns profissionais realmente competentes - Ricardo Boechat, Adamo Bazani, Milton Jung, Rosana Jatobá, Juca Kfouri e alguns outros - , o "Aemão de FM" tornou o rádio FM muito tagarela, maçante, pachorrento e chato. Tanto que dá uma grande desconfiança falar em crescimento de uma ou de outra emissora do gênero.

Ando por qualquer parte das ruas de Niterói, do Rio de Janeiro, de São Gonçalo e até da Baixada Fluminense e não vi o tal "crescimento" da Band News ou da "Rádio Globo AM" FM. Muitas vezes os números do Ibope são apenas conversa para boi dormir, e além disso boa parte da audiência que o "Aemão de FM" abocanha, sobretudo em transmissões esportivas, se deve a sintonias coletivas ou à poluição sonora.

No primeiro caso, estabelecimentos comerciais acabam "anabolizando" a audiência, na medida em que a sintonia de um único gerente é "diluída" na presença corporal de dezenas de profissionais e milhares de fregueses, que acabam sendo também responsabilizados pela audiência, de forma involuntária.

No segundo caso, a sintonia de uns gatos pingados atinge altos volumes que dão a falsíssima impressão de que todos em volta de cada infeliz estão ouvindo a emissora. Não obstante, a poluição sonora atinge altas horas da noite, perturbando o sono da vizinhança, mas com a mídia fazendo vista grossa, sobretudo por causa da "paixão" pelo futebol, onde se perdoa até a poluição sonora praticada por uns prepotentes.

Tanto neste como no primeiro caso, audiências inerciais e involuntárias são "empurradas" para engrossar o número de ouvintes de determinada emissora, que na realidade corresponde apenas a cerca de 10% a 20% do registrado no Ibope.

As pessoas andam muito ocupadas para sintonizar rádios com frequência. Elas têm muito o que fazer. Por outro lado, a blogosfera e as redes sociais roubaram muito das atenções que antes se dava ao rádio FM. Só que, em nome do corporativismo, os sítios digitais relacionados ao rádio não conseguem admitir essa hipótese.

Como feudos que se acham um mundo à parte, os sítios radiófilos julgam que toda pessoa tem um rádio ligado dentro de seu organismo, como se fosse um marcapasso a movimentar o coração. Esse discurso é irreal, mas é uma regra no debate corporativista dos radiófilos e mesmo radialistas.

Para eles, até mesmo as piores rádios brega-popularescas são "geniais", porque são rádios. Tudo o que for estabelecido pelos donos de rádio é como se fosse um mandamento de Deus. Se a rádio dita de rock contrata locutores mauricinhos, os radiófilos aceitam. Uns criticam, mas a opinião que prevalece é sempre a de condescendência.

Por isso, prefiro ficar de fora dos fóruns de rádio, ou, quando muito, lançar uns poucos questionamentos quando me vêm à tona. Há muito o rádio FM brasileiro perdeu a sintonia com a sociedade, com o ouvinte, se tornando tão velho quando a imprensa brasileira, cujos "jornalões" são duramente criticados pelos analistas midiáticos.

Portanto, o rádio FM também está sofrendo do ranço de uma mídia velha, atrelada a interesses políticos e comerciais. E os ouvintes estão correndo fora, embora os radiófilos dificilmente admitam isso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Anunciantes de FMs noticiosas deveriam priorizar jingles


Algo muito irritante acontece nos intervalos de programas como o de Ricardo Boechat, na Rede Band News FM. Intervalos inteiros apenas com comerciais falados desperdiçam tempo por serem repetitivos e serem jogados ao vento diante de um "mar de notícias" que faz com que o ouvinte esteja pouco habituado a receber os mesmos apelos comerciais maçantes e repetitivos.

Sou contra rádios só de notícias, pois a overdose de informação torna-se notória, e o chamado "opinionismo" já deixou de ser um diferencial há muito tempo, até porque a blogosfera anda dando umas grandes vitórias nesse sentido.

O ideal seria a alternância entre música e notícias, sem essa de transmissão de futebol ou corrida, para descansar os ouvintes da sobrecarga informativa que eles terão que processar em suas mentes numa pausa para poderem pensar num assunto e formarem sua própria opinião. Com avalanche de notícias, isso não é muito possível de acontecer, e o ouvinte acaba tomando como sua a opinião do locutor ou entrevistado.

Mas, se a vontade dos executivos de rádio e o paternalismo de seus gerentes artísticos é que prevalece, vá lá. Só que nem os anunciantes colaboram para amenizar a sobrecarga informacional e parecem veicular peças publicitárias de rádio, os chamados spots, como se o público alvo fosse seus próprios publicitários.

Diz até uma piada que os anunciantes de televisão veiculam suas propagandas para vender seus produtos, os anunciantes de jornais e revistas veiculam suas propagandas para vender seus produtos, mas os anunciantes de rádio veiculam suas propagandas para ganhar prêmios de publicidade.

E, por sinal, os anunciantes do rádio FM, que anda muito, muito mofado, parecem perseguir até hoje os concursos de Publicidade e Propaganda do começo dos anos 1990. Os comerciais de rádio FM são tão repetitivos que dá pena ouvi-los, muitos aproveitam os intervalos e vão conversar com um amigo, ir ao banheiro, beber água, comprar alguma coisa etc.

Houve uma onda de comerciais em que cada peça publicitária mostrava um diálogo humorístico entre um homem com voz de velho bonachão e uma mulher com voz de dondoca. Eram uns três comerciais passando o mesmo tipo de linguagem. Isso foi há cerca de uns dois anos atrás.

Depois, veio a onda dos comerciais simulando telefonemas. Era geralmente um rapaz telefonando com uma moça, num diálogo veloz porém muito maçante. Pouco importava o produto, se era concessionária de automóvel, creme dental ou banco, era a mesmíssima coisa.

Pior é que tudo isso é feito para agradar a vaidade dos publicitários. E será que alguém acha que isso consegue divulgar um produto? Dificilmente. Tudo já é tão rotineiro no rádio que, se um produto consegue ser vendido, é porque o mesmo anunciante também já havia lançado peças publicitárias em televisão e nas páginas de revistas e jornais.

VOZES DE DESENHO ANIMADO - Mas, se há os chamados jingles, a última esperança dos anunciantes para contrabalançar o blablablá radiofônico e conseguir vender seus produtos sem se "afogar" num "mar de notícias", eles mesmo assim estão muito aquém de serem agradáveis para os ouvintes.

A maioria das músicas publicitárias é muito caricata, tocada apenas com um sintetizador simplório, e seus cantores, além de amadorescos, cantam com a voz de dubladores de desenhos animados. Ou seja, a maior parte dos jingles para rádio FM é muito, muito ruim.

Várias peças musicais publicitárias marcaram história, como a do Rum Creosotado, muitíssimo antigo. Ou então o jingle da Varig, ou tantos outros. Não me parece que um comercial não-musical de rádio conseguiu a mesma popularização ao longo dos anos.

Uma das exceções das peças musicais é o jingle da Insetfone, marca de inseticidas, que teve várias versões. Se, ultimamente, o comercial peca por ser feito apenas com teclado, o que aproveita pouco sua concepção de sambalanço - cujo arranjo seria melhor valorizado com instrumentos próprios do ritmo - , pelo menos a cantora tem uma bela voz.

Fazer peças musicais para rádio FM, com instrumentos e cantores de verdade - mesmo que sejam amadores e até quase anônimos, mas que tenham pelo menos um talento comparável ao dos grandes cantores - pode até custar dinheiro, mas terá um retorno mais garantido e um diferencial na divulgação de um produto que não se perderá na overdose de locuções e informações.

domingo, 16 de dezembro de 2012

FMs levam a pior na audiência do jogo entre Corinthians e Chelsea


O jogo de hoje entre o Corinthians e o time inglês Chelsea no Mundial de Clubes do Japão, realizado de manhã, representou uma séria desvantagem na audiência das FMs que apostam no formato "Aemão" e transmitem partidas esportivas.

Nas rádios pesquisadas no eixo Rio-São Paulo, por exemplo, a sintonia observada nas emissoras FM - levando em conta que, em cada capital, há uma média de pelo menos duas FMs dedicadas ao "Aemão" - era de uma pessoa para cada grupo de, no mínimo, 20 mil pessoas, uma audiência considerada ínfima.

As sintonias pesquisadas nas cidades mostram que os ouvintes que preferiram sintoniar rádio FM estavam isolados, constituindo em audiências individuais. Já a audiência da televisão tornou-se bem maior, sendo constante em cada bar observado nas ruas das cidades, além da sintonia em residências. E em todas elas uma única sintonia puxava um número mínimo de três espectadores.

Há também a audiência nos sítios da Internet que, ainda que seja pequena e geralmente individual, segue um nível de crescimento inverso ao do rádio FM, que descresce completamente.Isso mostra a decadência que o rádio FM anda sofrendo, mais acelerada do que a do rádio AM.

Visando não decepcionar o mercado publicitário, que já não confia no rádio, as FMs chegam a registrar, nos institutos de pesquisa, um índice de audiência que, na verdade, corresponde a 50 ou 200 vezes a audiência observada na realidade.

Por exemplo, se uma FM com roupagem de AM registra uma audiência de 60 mil ouvintes por minuto, o que faz com que os colunistas de rádio, alguns de forma exagerada, estimem a audiência a mais de um milhão de ouvintes, a FM, na realidade concreta, das ruas, na verdade estaria tendo, na mesma ocasião pesquisada, um número não muito superior de 120 a 150 ouvintes.

Maior vantagem está na televisão paga, onde a audiência cresce de forma surpreendente, sobretudo com as facilidades que as operadoras oferecem. E se o rádio FM queria ser o "novo rádio AM", ele anda sofrendo na pele os mesmos dramas que as AMs sofrem nos últimos 25 anos.

sábado, 24 de novembro de 2012

Catedral FM reduz espaço de programa de debates que está completando 20 anos


Uma grata surpresa no dial carioca. A Catedral FM 106,7 reduziu em pelo menos dois dias da semana seu tradicional blá blá blá "AM em FM". Seu histórico programa de debates Vox Populi (da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro) entrou no ar em dezembro de 1992, junto com a própria rádio. Até o início de outubro de 2012, o programa ia ao ar de segunda a sexta-feira, de 18:10 a 19h. Desde outubro passado, o programa perdeu suas edições de segunda, terça, quinta e sexta. Agora vai ao ar somente às quartas-feiras, com os mesmos temas que levava ao ar tradicionalmente às segundas-feiras: o noticiário geral, com ênfase na política municipal, estadual e nacional, às vezes abordando também política internacional.

Nas segundas e terças-feiras, o horário anteriormente ocupado pelo Vox Populi é ocupado agora por música católica. O blá blá blá "AM em FM" continua com o próprio Vox Populi às quartas-feiras e com dois novos programas: Saúde em Debate (debates e entrevistas sobre saúde) às quintas-feiras e Panorama da Semana às sextas-feiras. Saúde em Debate é herdeiro direto do Vox Populi, que já levava ao ar debates e entrevistas sobre saúde às quintas-feiras.

sábado, 20 de outubro de 2012

Bradesco Esportes leva a sério demais esse negócio de "AM no FM"


É a impressão que temos ao sintonizar a nova rádio bancária esportiva que veio de Petrópolis para o Rio de Janeiro, trazida pelo Grupo Bandeirantes e bancada pelo Bradesco.

A rádio Bradesco Esportes FM 91,1 leva a sério demais essa de fazer "AM no FM", não apenas pela grade de programação, com (boa) música apenas de madrugada, mas também pelo péssimo som. Não me refiro apenas à sintonia, porque só telefones celulares com FM sintonizam bem essa rádio, com dificuldades quase intransponíveis para outros receptores. Me refiro também ao som que é levado ao ar. Abafado e com agudo fraco. Parece som de fita cassete velha.

As outras "AMs do FM" tentam disfarçar a coisa, colocando som de FM, até mesmo usando e abusando de vinhetas espaciais estilo Jovem Pan. E mesmo assim essas outras rádios tem o mesmo som de fita cassete velha durante as jornadas esportivas. Já a Bradesco Esportes tem som de fita velha 24 horas por dia.